Prefiro ser a moça do canto

By Larissa Oliveira - setembro 16, 2015


Nem sempre fui tão antissocial. Costumava ser a moça que chegava nos lugares e conhecia mais da metade das pessoas presentes. Talvez, por eu ser de interior (onde todo mundo conhece todo mundo) ou simplesmente por necessidade de está rodeada de “amigos”. Acontece que depois de um tempo, fui me tornando mais seletiva com amizades. Moças com gritinhos estridentes e que só pensavam em pegar o cara mais bonito do bairro, me davam preguiça. Assuntos como maquiagem e moda nunca fizeram meu estilo. Preferia ouvir banda de rock com meu irmão mais velho e jogar mortal kombat.

A verdade é que comecei a não me encaixar e fui ficando mais de lado, me tornando a moça do canto, mas tudo certo, nunca tive problemas em ser fora dos padrões, (apesar de que hoje é cool, ser diferente) e não importava se as pessoas me achavam estranha ou qualquer outro adjetivo, que agregassem ao meu ser.



Eu era a moça que tinha muitos amigos homens, mas, nenhum era meu namorado. Eles amavam a minha companhia, diziam que eu era inteligente e muita gente boa, mas nunca me pegariam porque eu era brother, á irmã. No fundo sabia que na verdade, fugia dos padrões que eles gostavam. Mas, isso nunca me afetou, meu interesse era mais nos CDs que eles tinham, do que num possível envolvimento afetivo. Meus amores platônicos geralmente eram, pelos cabeludos das bandas de metal que curtia ou de algum professor do colégio, (tão previsível se apaixonar por um professor, quem nunca?). E nessa fui me tornando cada dia mais reservada, mais só, mais a moça que sabe esperar sua vez.

E sabe de uma coisa? Não mudei quase nada, (tirando que agora pego meus amigos e bebo mais do que eles hahaha), de resto continuo com a mesma essência de menina, que sabe ser mulher quando tem que ser, que sabe ficar na sua, mas, que também sabe ligar o foda-se quando necessário.  

Hoje, praticamente imploro pra não ser notada. Olhares me incomodam e por isso, odeio pegar ônibus ou ir para lugares com muita agitação. Ás vezes, me sinto uma senhora de 80 anos que prefere ficar na varanda de casa, tomando chá e lendo um livro. Por conta desse meu comportamento sou bastante criticada, dizem que não sei aproveitar minha juventude e que no futuro vou me arrepender. O que não entendem, que é desse jeito que gosto de aproveitar á vida.

As pessoas têm dificuldade em aceitar o não convencional e acabam julgando e rotulando quando as coisas fogem do seu mundinho medíocre. Eu não procuro que me aceitem, mas, que respeitem minhas escolhas, gostos e meu modo de levar a vida. Não tenho medo de encarar o mundo (já tive), pois, mais importante do que pensam é a minha felicidade que conta nisso tudo. As pessoas são infelizes, por camuflar-se no que é mais “certo” e não viver de acordo com o que deseja de fato.

Se eu sou feliz sendo a moça do canto e que gosta de coisas “estranhas”, que seja.

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