Passou muito tempo até descobrir
minha vocação, estava em minha cara, mas as sugestões alheias eram sempre óbvias.
A questão é, não sou fã de obviedades, gosto mesmo de nadar contracorrente.
Pensava, analisava, pesquisava: que curso fazer? Afinal não é isso que se
espera de uma pessoa que termina o ensino médio? Como sou completamente
indecisa, mudava de curso constantemente. Já quis ser fisioterapeuta porque
acho linda á forma que a maioria desses profissionais cuidam dos pacientes. Já
quis ser médica, mas não me sinto confortável em ter a vida de outra pessoa em
minhas mãos. Já quis ser psicóloga, mas estudar a mente humana profundamente me
assusta. Então, como num estalo lembrei: adoro arte, escrever, ler... LETRAS,
esse é meu curso.
Logo veio comentários e opiniões
de pessoas evasivas: NOSSAAAAAA, certeza que deseja ser professora? É uma
profissão tão difícil, esse curso é pura gramática, o mercado de trabalho é
complicado para essa área, o salário é tão pequeno e blá, blá, blá... A
verdade, é que a maioria dessas pessoas não fazem o curso desejado. Fazem porque,
segundo eles dá dinheiro, porque é mais garantia de ascensão profissional, porque
todos os familiares seguiram determinada carreira e tem que se manter a
tradição. Olha só, a fórmula da felicidade não existe, mas acredito em caminhos
que, a tornam mais possível de ser alcançada. Então, decidi começar pela minha profissão,
no que me faria feliz a longo prazo, porque dinheiro é bom e útil, mas se sua
mente não estiver boa, nenhum dinheiro será suficiente para preencher o vazio
dentro do peito.
Quando comecei a fazer letras,
percebi o quanto é importante vivenciar o que se gosta, porque tudo é feito com
muita dedicação. Eu sou movida a artes em geral e qualquer curso que me
deixasse longe disso, me arrependeria de ter escolhido. Certamente terei menos
dinheiro que, aqueles amigos cursando direito ou engenharia por exemplo, mas
sei que estarei plena e trabalhando em algo prazeroso, que me inspira a fazer o
melhor, me faz querer viver e conhecer o mundo. Letras não é só gramática, é um
curso que abre a mente para outras culturas, que tira o preconceito linguístico
que temos e te faz entender que lecionar é a coisa mais bonita que o ser humano
pode fazer pelo outro. É como aquela velha frase diz: de nada vale o
conhecimento, se não compartilharmos. Ensinar é isso, compartilhar o que se
aprendeu.
Podem até dizer que Letras é um
curso pequeno, mas para mim pequeno é o sonho de quem diz ser.
Escolha o que te faz feliz, não o
que te dizem para fazer...

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